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24 de Outubro de 2018

Cecília do Cevam ecoará em Goiás os gritos da mulher vítima de agressores

Falta dinheiro para a candidata à deputada estadual pelo PPS, Maria Cecília Machado, a Cecília do Cevam, fazer uma campanha política pomposa. Em compensação, ela oferece à sociedade goiana a sua experiência de 20 anos de trabalho voluntário na luta pelo fim da violência contra a mulher, a criança e o adolescente!

Edna Santos, Jornalista
Publicado por Edna Santos
há 29 dias

Cecília continuará na AL/GO a sua luta em prol da mulher; com o apoio do deputado federal Marcos Abrão, ambos do PPS

Votar numa mulher apenas pela condição feminina, ou tão somente porque ela promete continuar o trabalho feito pelo pai ou pelo marido político, nem sempre surte efeito positivo para a sociedade. Estão aí dezenas de exemplos expondo a fragilidade dessa tese. Porém, Maria Cecília Machado, a Cecília do Cevam, é o diferencial dessa eleição.

Há 20 anos lutando em Goiás pelo fim da violência contra a mulher, a criança e o adolescente, Maria Cecília preside o Cevam – Centro de Valorização da Mulher Consuelo Nasser há oito anos. É ainda ativista do Movimento de Mulheres e Conselheira da Casa Anália Franco.

Eleger Cecília deputada estadual é a certeza de fazer ecoar na Assembléia Legislativa de Goiás o clamor da mulher vítima de agressões; aliado ao seu brado de força e coragem de brigar pela sobrevivência por meio de uma representante com propostas reais para garantir, de fato, a igualdade de direitos.

Cecília não se lançou na disputa eleitoral escorada em sobrenomes de parentes políticos e tampouco se apresenta com promessas feitas ao acaso e de última hora. Ela é a candidata que tem um vasto currículo de trabalho voluntário prestado na área social, e a sua atuação é sustentada no tripé da coragem, honestidade e determinação.

Pela extensa folha de serviços em prol da mulher, da criança e do adolescente, norteado sempre pela solidariedade, justiça e igualdade, Cecília do Cevam traduz-se na grande esperança da sociedade feminina e da população infanto-juvenil, de ter enfim, vez e voz ativa na Assembléia Legislativa.

A presidente do Cevam apoia o deputado federal Marcos Abrão, candidato à reeleição pelo PPS, partido do qual ele é o presidente regional e que forma, junto com o PSDB e o PSB, a coligação “Goiás Avança Mais III”, de Marconi Perillo, José Eliton, Lúcia Vânia, Raquel Teixeira.

“O Brasil é o quinto País que mais violenta suas mulheres; Goiás é o segundo Estado que mais mata e Goiânia é a quinta capital com mais homicídios. O holocausto é aqui!”

Sem Censura - O que as mulheres goianas, principalmente àquelas vítimas de violência doméstica, podem esperar da Cecília do Cevam como deputada estadual?

Cecília – Faremos um mandato democrático, com ampla participação popular. Teremos um escritório político aberto 24 horas para atender a população goiana. Será uma trincheira de luta em defesa das mulheres - ali elas terão vez e voz –; das crianças e dos adolescentes.

Sem Censura - Há oito anos na presidência do Cevam, que melhorias a senhora conquistou para a entidade?

Cecília - Conseguimos garantir a nossa porta aberta 24 horas; implantamos o programa Castelo dos Sonhos, de atendimento a meninas vítimas de abuso e exploração sexual. Melhoramos a nossa comunicação externa; temos assento nos Conselho da Mulher do Estado de Goiás e do Município de Goiânia.

Criamos uma Rede de Voluntários e estamos organizando uma nova sede em Aparecida de Goiânia. Mantemos permanentes campanhas de prevenção à violência doméstica e familiar, e atendemos mais de 25 mil pessoas em nossa entidade.

Sem Censura - O seu trabalho envolve ainda o amparo à criança e ao adolescente vitimas de maus-tratos, abuso sexual, abandono. Quais as maiores dificuldades para fazer valer os direitos dessa comunidade infanto-juvenil?

Cecília – Garantirmos recursos permanentes para que não aconteça a descontinuidade dos serviços e que o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/90) saia do papel. O ECA está em vigor há 28 anos e não conseguimos ainda garanti-lo na integralidade.

Sem Censura - Os castigos físicos, o trabalho forçado, a negligência, a ausência de cuidados cerceiam o desenvolvimento saudável da criança e podem transformá-la num adolescente infrator. Por que as medidas preventivas do ECA não são cumpridas, sobressaindo-se apenas a parte repressiva e punitiva?

Cecília - Temos de fazer algumas alterações urgentes no ECA, se quisermos que nossas crianças e jovens cresçam saudáveis, felizes e não caiam na marginalidade ou tornem-se dependentes de drogas lícitas e ilícitas.

Precisamos garantir o acesso à educação de qualidade e ao primeiro emprego. As crianças devem participar, desde pequenas, do processo de construção de uma nova sociedade, em que o fascismo seja extirpado e a democracia faça parte do nosso dia a dia.

“Recebemos inúmeros casos de adolescentes vítimas de estupro familiar, e que carregam no colo os seus filhos-irmãos. Uma criança de 10 anos me perguntou:_ Tia, quando eu casar o meu marido vai saber o que o meu pai fez comigo? Naquela hora eu perdi a fala”.

Sem Censura - Quais os casos mais chocantes de violência chegaram ao Cevam?

Cecília - Posso citar inúmeros, mas irei me ater a quatro: a menina Lucélia, vítima de tortura, teve o corpo mutilado por uma rica empresária e morou no Cevam por mais de nove meses. Este caso teve repercussão nacional, a torturadora foi presa, condenada e pagou uma alta indenização.

O caso da jovem Mara Rúbia, que teve os olhos perfurados e nós precisamos travar um briga judicial com o Tribunal de Justiça e o Ministério Público de Goiás para que esses órgãos compreendessem que houve tentativa de homicídio .

Conseguimos parar o Congresso Nacional para que ouvisse o nosso clamor e trouxemos à Goiás a bancada feminina de lá, quando organizamos uma grande rede de apoio à Mara Rúbia.

Sem Censura - Eu lembro-me que o Cevam obteve êxito nessa luta...

Cecília - Com a ajuda, o apoio e o empenho da advogada do Cevam, Darlene Liberato, conseguimos a condenação máxima do agressor, fazendo com que ele fosse a Júri Popular em tempo recorde.

Recebemos inúmeros casos de meninas vítimas de estupro familiar, que acontecem em seus próprios lares e que carregam no colo os seus filhos-irmãos.

Sem Censura – É preciso muito equilíbrio emocional para lidar com essas situações. A senhora pensou em desistir alguma vez?

Cecília – Nunca, mas o que me fez calar foi quando uma criança de 10 anos me perguntou: _ Tia, quando eu casar o meu marido vai saber que o meu pai fez “aquilo” comigo? Naquela hora eu perdi a fala e após me recompor, respondi pra ela: _ até lá nós encontraremos uma resposta. Você ainda tem um longo caminho pela frente. Você irá estudar, se formar e será uma grande mulher.

Sem Censura - Qual a sua proposta de uma política de segurança pública eficaz para inibir a violência contra as mulheres, as crianças e os adolescentes em Goiás?

Cecília - Precisamos compreender que Segurança Pública não se faz só com armamentos e sim com inteligência. Temos que investir mais em educação, cultura, esporte, lazer, e menos em armas. Precisamos tirar do papel e fazer valer de forma eficaz a Lei Maria da Penha e o Estatuto da Criança e do adolescente.

Sem Censura - O seu número na urna – 23180 – lembra às vítimas de crimes que elas devem delatar os agressores pelo disque-denúncia, o 180. Porém, o aumento significativo das barbáries contra a mulher parece não intimidar os denunciados. As punições não são severas, ou o serviço estaria se limitando a traçar mapas da violência e elaborar estatísticas?

Cecília - Quando pensamos o número 23180, quisemos divulgar o disque-denúncia também. Essa ideia veio de uma voluntária nossa, a psicóloga Adriana de Oliveira Barbosa. Precisamos propagar o número 180 para toda a população, incansavelmente, pois este número salva vidas.

A Lei Maria da Penha é uma das legislações mais perfeitas, mas as pessoas não conhecem o seu conteúdo e os governantes não garantem no cotidiano das pessoas os benefícios que a lei determina, a exemplo de implantação de delegacias, juizados, casas-abrigos, dentre outros direitos ali previstos.

“Em 37 anos de existência o Cevam jamais foi subserviente ao Governo e trabalha apontando caminhos libertários na vida das mulheres, crianças e adolescentes”.

Sem Censura - Com esteio na Lei Maria da Penha o disque-denúncia 180 é o Raio-X da brutalidade contra a mulher em cada Estado, possibilitando a tomada das medidas necessárias para enfrentar e coibir a violência. Como a senhora avalia a atuação do governo de Goiás nessa área nos últimos oito anos?

Cecília – Os Governos nas três esferas, Federal, Estadual e Municipal deveriam ter somado esforços para garantir o bem maior das pessoas, que é a vida. Hoje o Brasil é o quinto País que mais violenta suas mulheres; Goiás é o segundo Estado que mais mata e Goiânia é a quinta capital com mais homicídios. O holocausto é aqui!

Segundo o jornal O popular, do dia 11 de setembro de 2018, em Goiás uma mulher morre a cada dois dias. Cinco mulheres foram mortas em Goiás em 10 dias. No Estado, a política pública para as mulheres é muito frágil e precisamos urgente de uma determinação política para mudarmos esta realidade.

Sem Censura - Qual barreira lhe incomoda sobremaneira no combate à violência: a falta de políticas públicas por parte do Estado, a morosidade da Justiça em punir efetivamente os agressores ou a fragilidade das leis?

Cecília - As três barreiras formam paredões que parecem intransponíveis. Exemplo disso foi o caso da garota Mara Rúbia, em que precisamos acionar até o Congresso Nacional para conseguir a punição efetiva do criminoso.

Mas as mulheres goianas estão atentas. Com o poder do voto nas mãos, no dia sete de outubro elas poderão mudar o rumo deste quadro caótico votando em quem defende a democracia e tem compromisso com a vida e o bem estar da sociedade feminina. Não votaremos em machista, misóginos, homofóbicos, racistas. Estes não passarão pelo crivo do eleitorado goiano.

Sem Censura - Nas eleições municipais de 2016 a sua campanha à vereadora de Goiânia foi financeiramente tímida e a senhora ficou como suplente. Qual o seu grau de confiança de vencer agora a disputa por uma cadeira na Assembléia Legislativa?

Cecília - Participei do processo eleitoral em 2016 para cumprir uma tarefa do Cevam, pois a diretoria definiu que era o momento da instituição ter uma representante na Câmara, para sermos ouvidas, já que isso não acontece a contento até a presente data. Estamos gritando no deserto.

Hoje coloco o meu nome novamente à disposição, após um novo pedido da direção, e acredito que tenho chance, mesmo sabendo que o jogo é desigual. A nossa Campanha está sendo construída a várias mãos, através dos amigos, familiares e voluntários que sonham com um mundo sem violência, com respeito e paz. Queremos a igualdade de direitos, oportunidades e mais mulheres com o poder da caneta nas mãos.

Sem Censura - Como a candidata Cecília do Cevam convence o eleitorado de que se difere de pessoas que usam ONGs apenas como trampolim para alçar voo a uma carreira política?

Cecília - Tenho tranquilidade de dizer que estou candidata por decisão da direção do Cevam, que deseja mais mulheres na política. Não estou usando a instituição. Faço 70 anos no próximo ano e poderia estar viajando, descansando, curtindo meus netos, filhos e familiares, mas tenho uma missão com o Cevam. Queremos fortalecê-lo politicamente. Temos que garantir políticas publicas eficazes na vida das mulheres, crianças e adolescentes.

“Saio candidata à deputada estadual para fortalecer o Cevam, pois não somos ouvidas a contento até a presente data”.

Sem Censura - A senhora sai candidata pelo PPS, que junto com PSDB e PSB, formam a coligação Goiás Avança Mais III e tem Marconi Perillo, José Eliton, Lúcia Vânia, Raquel Teixeira. Como é a receptividade dessa aliança à sua campanha?

Cecília - O Partido Popular Socialista – PPS é um partido pequeno em Goiás, mas não tem medo de ousar. Fechamos uma coligação muito forte (PSDB, PSB e PPS), com vários medalhões. Precisarei de aproximadamente 35 mil votos para ter chance de ser eleita, mas sei que não é impossível. Tenho conseguido o apoio da nossa Chapa Majoritária, que sabe que esta eleição será decidida pelos votos das mulheres.

Sem Censura - Em 2016 a senhora declarou que o Cevam vivia só de doações há mais de seis anos. Recentemente, afirmou que o casal Marconi e Valéria Perillo sempre esteve ao lado do Cevam. Que tipo de ajuda eles deram à entidade?

Cecília - Em seus 37 anos de existência o Cevam prima por não ser subserviente a nenhum governo e a trabalhar apontando caminhos libertários na vida das mulheres, crianças e adolescentes. O Casal Marconi e Valéria Perillo contribuiu de forma pessoal e voluntária com a instituição. Temos orgulho de tê-los como parceiros, pois sempre nos atenderam de forma respeitosa.

Sem Censura - O Cevam já recebeu alguma melhoria pelas mãos do deputado federal Marcos Abrão? Que benefícios ele prometeu trazer para a instituição, caso seja reeleito?

Cecília - O Deputado Marco Abrão é nosso parceiro de primeira hora. O conhecemos no final de 2015 e se a nossa instituição continua de portas abertas 24 horas é graças à sensibilidade dele; de compreender a luta das mulheres e nos ajudar, apontando saídas para as nossas dificuldades financeiras.

Sem Censura - Se vencerem as eleições, Marconi Perillo e Lúcia Vânia para o Senado, e Marcos Abrão para a Câmara dos Deputados, qual o compromisso deles de socorrer o Cevam a fim de tirá-lo da sobrevivência apenas por meio de doações?

Cecília - Temos a certeza que continuarão a contribuir com a nossa luta, que é árdua, sofrida e não pode ser solitária. Eles serão eternamente amigos e parceiros do Cevam.

Sem Censura – Que propostas a deputada Cecília pretende apresentar na Assembléia Legislativa?

Cecília – Tenho muitas, dentre elas o combate ao turismo sexual, com políticas públicas e permanente campanhas; o enfrentamento do tráfico interno de pessoas; a aplicação da legislação de combate à violência doméstica, em especial para proteger mulheres, crianças e adolescentes.

Quero implantar da Casa da Mulher, que será um complexo arquitetônico com serviços especializados às vítimas de violência, como delegacia, juizado, defensoria, promotoria, equipes psicossocial, orientação ao emprego e à renda, além de brinquedoteca e área de convivência.

Coordenar uma ação pela criação da Secretaria da Igualdade Racial, voltada para a mulher negra que sofre racismo de gênero e de cor, como forma de não invisibilizar a realidade da porção negra e majoritária do feminismo

  • Dentre as propostas de Cecília destacam-se:
  • Apoiar o custeio, por intermédio de convênio, às Casas de Acolhimento de mulheres, adolescentes e crianças vítimas de violência doméstica e sexual;
  • Apoiar reestruturação e o fortalecimento do Conselho Municipal da Mulher;
  • Atuar pela reconfiguração da Secretaria Municipal da Mulher, de modo que o espaço conceitual, logístico e finalístico seja de portas abertas e totalmente voltado ao coletivo feminino, com atuação transparente e comprometida com a igualdade, a justeza social e o respeito de gênero, de raça, de orientação sexual e de etnia;

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